Cláudio - Jornalismo Online

01 Junho 2006

O sétimo selo


A única coisa certa na vida é a morte. Ingmar Bergman, em seu filme “O sétimo selo”, mostra que o temor da morte e as incertezas que ela nos causa estão sempre presentes. A guerra, a fome, a peste fazem parte de nosso dia a dia, o juízo final são todos os dias. Não compartilhamos os bons momentos e quando nos damos conta disso muitas vezes já é tarde. As guerras continuam sendo em nome de Deus, um Deus que não vemos.


Ela, a morte, está presente todo o tempo e cada um reage de um modo diferente. A verdade é que temos medo de encontrá-la. Temos medo do desconhecido. Temos medo de morrer sem saber o verdadeiro sentido da vida. A morte é um grande paradoxo entre a certeza que ela virá e a incerteza quanto ao futuro de todos nós.
Somos ensinados que devemos ter fé porque só assim seremos felizes.
No filme de Ingmar Bergman o amor é partilhado e valorizado, por um casal e seu filho, de acontecimentos simples e solidários, dando uma espécie de significado à nossa curta passagem pela Terra. Eles não vêem o mal que está a sua volta. A fé os torna felizes. Conseguem passar pelas adversidades e viver na luz enquanto observam ao longe a morte e a escuridão.


O SÉTIMO SELO

Título Original: Det Sjunde Inseglet
Origem: Suécia
Ano: 1957
Tempo de duração: 96min
Diretor: Ingmar Bergman.
Elenco: Max von Sydow, Gunnar Bornstrand, Bengt Ekerot e Bibi Andersson.

17 Maio 2006

O Código Da Vinci - O Filme




Pois estreiou nesta sexta, 19 de maio, o filme “O Código Da Vinci”. Uma polêmica que passa do livro para as telas dos cinemas de, praticamente, todo o mundo. Polêmica iniciada com o livro de Dan Brown, que já vendeu mais de 40 milhões de exemplares em todo o mundo. O longa tem a direção de Ron Howard de uma “Mente brilhante”. E traz Tom Hanks, que dispensa apresentações, vivendo o professor americano e simbologista Robert Langdon. A trama tem início quando ele está em Paris e é chamado a comparecer no Museu do Louvre, onde o curador foi assassinado. No local do crime, são encontrados vários símbolos misteriosos que servem como pistas. O ator francês Jean Reno interpreta o detetive Bézu Fache, encarregado de investigar o caso e, a neta do assassinado, a criptógrafa Sophie Navau, é interpretada pela atriz Audrey Tautou de “Amelie Poulain”. A partir daí, Sophie e Langdon tentarão desvendar o mistério e encontrarão códigos a serem decifrados em obras de Leonardo da Vinci, como a “Mona Lisa”.
Apesar da estréia ser hoje na maioria dos países do mundo, "O Código da Vinci" teve sua estréia na quarta-feira, 17 de maio, no Festival de Cinema de Cannes, na França. A repercussão foi fria. A platéia achou o filme pesado e complicado, inclusive, riram de uma cena que era de suspense. A maioria dos jornalistas afirmou que o filme começa bem, mas perde o ritmo no final. Somente o New York Post classificou o filme como “esplêndido”. Esse é o grande problema das polêmicas que criam em torno de um filme. Assim como eu, o espectador acaba criando uma expectativa exagerada sobre a trama e quando termina o filme, os créditos começam a subir, fica aquela sensação de frustração e vem a pergunta: “Cadê o filme? É só isso”?

Trailer do filme



Mas voltando ao enredo do filme, o casal de protagonistas descobre uma seita pagã que considera o sexo uma adoração sagrada e que seria portadora de um segredo que pode colocar em xeque a Igreja Católica, aí é que começa a polêmica religiosa. Esse segredo também é procurado por um bispo do grupo Opus Dei (congregação católica trazida a público com poder pelo Papa João Paulo II, seus dirigentes coordenam a doutrina da Igreja), que o utiliza para chantagear a cúpula da Igreja. A história além de mostrar um sacerdote do grupo Opus Dei como um interesseiro, o vilão da trama é o monge Silas, interpretado por Paul Bettany, ele acolhido pelo bispo e também integra o grupo. Silas age como um capanga e não hesita em matar e, depois, como penitência se autoflagela, usando silício na perna. O grande segredo da história sugere que Jesus teria tido filhos com Maria Madalena, e isso seria mantido em segredo pela Igreja.

Trailer do filme



Há uma campanha mundial das igrejas batista, católica, luterana e metodista para desacreditar as teorias teológicas do livro e do filme e reafirmar a ortodoxia cristã. Para dar um exemplo, nos Estados Unidos, a diocese católica de New Hampshire, onde vive e trabalha o escritor Dan Brown, organizou dez seminários para oferecer sua versão da história. O medo é de que o sucesso da versão cinematográfica possa dar credibilidade aos aspectos da história que não agradam a Igreja. "Rezo todas os dias pelo escritor (Dan Brown) e também pelos que fizeram o filme, já que talvez não se dêem conta de que blasfemam e que suas manifestações podem ferir pessoas", disse o prelado do Opus Dei, D. Javier Echevarria Rodríguez. Segundo ele, "mostra que a sociedade tem uma grande necessidade de transcendência e de aspiração ao além", mas lamentou que o êxito de "O Código da Vinci" seja medido "pelo dinheiro".

No Brasil, o bispo auxiliar de São Paulo, dom Odilo Scherer, recomendou atenção para “fazer um discernimento adequado” sobre os fatos reais e sobre a ficção quando se lê ou se assiste ao “Código da Vinci”. Para dom Scherer, essa história é ofensiva à fé católica e desrespeitosa a quem tem fé. Ele lamenta que personagens fictícios esteja misturados a personagens reais. Ressalta que é uma ficção e que os argumentos ali apresentados não são verdadeiros. “Uma ficção é uma ficção e assim deve ser encarada”. O presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Majella Agnelo, conclamou os católicos a não assistirem ao filme por apresentar “uma imagem distorcida de Jesus Cristo”.

Também Tom Hanks diz que o “Código da Vinci” não deve ser levado a sério. Ele afirmou que seria um grave erro levar ao pé da letra o filme. “É uma grande história, muito divertida. E tudo está no diálogo. Não fere ninguém”, ressaltou em declaração a imprensa.

Mas o negócio é o seguinte: quem quiser assistir para tirar suas dúvidas que assista. Se eu assistir, provavelmente, será daqui a um ano, quando a poeira tiver baixado. A chave de tudo é que deve se fazer a seguinte leitura: o “Código da Vinci” é uma novela, um conto do imaginário de um escritor, apesar dele nos fazer acreditar que trata-se de acontecimentos verdadeiros.


Comentário de Sérgio Rizzo sobre os locais
de locação de O Código Da Vinci na França




A equipe teve permissão de filmar no Museu do Louvre, mas não pode gravar imagens da verdadeira tela da “Mona Lisa” devido a proibição de qualquer contato com a luz. Foi usada uma réplica no filme. Em Londres foram proibidos de filmar dentro da Capela de Westminster.

O CÓDIGO DA VINCI (The Da Vinci Code), suspense dirigido por Ron Howard, com Tom Hanks, Audrey Tautou, Jean Reno, Paul Bettany, Ian McKellen e Alfred Molina. Tem duração de 149 minutos. Para saber mais clique: Da Vinci Code(EUA).

31 Março 2006

Internacional

A notícia escolhida para análise, na editoria Internacional de domingo, 26 de março de 2006, foi que forças de segurança iraquianas haviam encontrado 30 corpos, muitos deles decaptados, ao norte de Bagdá. Talvez porque notícias sobre pessoas mortas encontrados no Iraque, que vive uma guerra civil não seja mais uma novidade, os sites pesquisados, em sua maioria, não deram muita importância ao ocorrido.
No site do IG, a notícia “Trinta corpos são achados no Iraque, muitos decaptados”, era a manchete principal da capa de editoria Internacional, acompanhada de um pequeno texto com link para BBC Brasil para mais notícias e outros dois links sobre dois acontecimentos em outras regiões do Iraque. No site da BBC só havia mais quatro frases sobre o assunto sem mais explicações.
A Folha, também trata com destaque, em sua capa, os corpos encontrados. A manchete: ”Iraque investiga 30 corpos achados ao norte de Bagdá”, traz junto um resumo da notícia e o internauta pode ler a reportagem deste e de outros dois fatos, também ocorridos no domingo, clicando no título da matéria. A Folha, ainda, publica no final do texto, chamando o leitor que deseja saber mais sobre os conflitos, uma coluna Especial com dois links: “Leia cobertura completa sobre o Iraque sob tutela” e “Leia o que já foi publicado sobre atentados no Iraque”.
O Globo Online publicou somente uma nota, de duas frases da Agência Reuters. No bloco “plantão”, às 13h12m, “Exército iraquiano encontra 30 cadáveres, a maioria decaptada”. O site não valorizou a notícia.
O site Terra não deu destaque a notícia em sua capa, foi publicado no bloco “últimas notícias”, às 16h38m do domingo 26, a manchete “Corpos decaptados são encontrados ao norte de Bagdá”. Mas, diferente do Globo, clicando na manchete o internauta é direcionado para uma notícia com as mesmas informações divulgadas pelo site da Folha.
As notícias sobre mortes no Iraque, infelizmente, são diárias que não só os sites de notícias, mas todos os veículos de comunicação não valorizam mais os acontecimentos ocorridos naquela região. Domingo morreram trinta, amanhã mais cinqüenta, depois de amanhã outros tantos...